PT lançará Mercadante ao governo

O PT lançará o senador Aloizio Mercadante como pré-candidato ao governo de São Paulo ainda em busca dos pequenos partidos como PRTB, PTN, PSL, PSC e PHS para compor a chapa. Sábado haverá o encontro estadual do PT que marca oficialmente o lançamento da pré-candidatura dele e da ex-prefeita Marta Suplicy ao Senado. O ato terá a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff. Até o momento, a chapa de Marcante tem o apoio do PDT, PR, PRB, PC do B e PSL.

Segundo o presidente do PT de São Paulo, Edinho Silva, o nome mais forte para compor com Marta é o do vereador Netinho de Paula (PC do B). O dirigente petista disse que as conversas com o PSB estão suspensas, enquanto os socialistas mantiverem a opinião de lançar o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, candidato ao governo paulista. Desde o início do processo estamos respeitando o PSB, que optou pela a construção de uma candidatura própria , disse Silva.

‘Dilma não se segura sem o Lula’, avalia José Aníbal

Diário do Grande ABC – Beto Silva

Em visita a Santo André na semana passada, quando fora realizado ato de credenciamento da Prefeitura andreense junto ao Sistema Paulista de Parques Tecnológicos, o deputado federal José Aníbal (PSDB-SP) afirmou que a ex-ministra Dilma Rousseff, pré-candidata do PT ao Palácio do Planalto, “não se segura sem o presidente Lula”. “Não criou peso específico próprio. Até porque o trabalho de gestão dela no PAC deixou muito a desejar. De mãe foi virando madrasta”, frisou categórico o parlamentar. “E agora fizeram essa encenação toda de lançar o PAC 2, que virou piada, literalmente”, completou.

Aníbal pretende se candidatar ao Senado nas eleições. Mas ainda disputa internamente a preferência do partido com Aloysio Nunes, que deixou recentemente o comando da Casa Civil do Estado. O deputado disse que essa concorrência é “saudável” e aproveitou para criticar os dois senadores petistas, Aloizio Mercadante e Eduardo Suplicy. “São de oposição ao governo e ao Estado, porque viabilizam muito pouca coisa para cá.” Em entrevista exclusiva ao Diário, Anibal falou também do Mensalão do DEM do DF, de antecipação de campanha e da corrida pelo Palácio dos Bandeirantes.

DIÁRIO – Qual o motivo da visita a Santo André, deputado?

JOSÉ ANÍBAL – Desde que fui secretário de Ciências, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico do Estado, há dez anos, vejo essa vocação para o desenvolvimento que São Paulo tem. Inovar. Isso impõe a São Paulo uma série de desafios, dentre eles ter recursos humanos bem qualificados. Felizmente hoje temos uma rede de ensino técnico e tecnológico que está fazendo isso muito bem. Essa coisa me motiva muito porque é uma coisa puxando a outra. É uma necessidade do setor produtivo e ao mesmo tempo ter de disponibilizar a qualificação profissional, somando uma com a outra, além de grandes instituições de pesquisa e, agora, finalmente Santo André contemplada com esse parque tecnológico. E o Grande ABC se diferencia de forma prática primeiramente acolhendo indústria, depois com recursos humanos e agora dá esse novo salto, de inovação tecnológica.

DIÁRIO – Está trabalhando para concretizar a candidatura do senhor ao Senado?

ANÍBAL – Nós tucanos temos duas coisas já bem definidas: nosso candidato a presidente, José Serra, e Geraldo Alckmin como candidato a governador. Dia 10 de abril será o lançamento da candidatura à Presidência em Brasília e logo em seguida a do Geraldo, em São Paulo. As oficializações são nas convenções (de junho), mas já é certo que os dois serão candidatos. Com relação a mim, tenho meu nome colocado para a disputa ao Senado. E o PSDB vai apurar quem será o pleiteante, pois existem outros que gostariam de ser. Então vamos aguardar essa convergência. Porque é importante o PSDB voltar a ter um senador da República.

DIÁRIO – Essas escolhas influenciam na formação das chapas, das alianças de apoio. Tem espaço para todo mundo?

ANÍBAL – Certamente o (Orestes) Quércia sai candidato a senador pelo PMDB, nosso parceiro, e tem também o senador Romeu Tuma (PTB – que buscará a reeleição), que estará coligado conosco. Tem espaço para todos porque são duas vagas. É saudável que tenhamos candidatos que possam procurar ter a confiança do eleitor de São Paulo. O importante é que o partido volte a ter um senador que represente o Estado. Os senadores que São Paulo tem hoje, sobretudo os dois do PT (Aloizio Mercadante e Eduardo Suplicy) são de oposição ao governo e ao Estado, porque viabilizam muito pouca coisa para cá. O senador, independentemente da ligação com o governador, tem de batalhar recursos para o Estado dele. Nos programas do governo, nas propostas orçamentárias, acontece muito pouco porque não interagem com o governo.

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Os Alckmistas estão chegando…

"Alckmin aguarda o 'start' de Serra

Os Alckmistas estão chegando...

O ex-governador Geraldo Alckmin espera receber o quanto antes sinal verde de José Serra para começar a campanha ao Palácio dos Bandeirantes. Cautelosos para não passar a mensagem de que querem pressionar o governador, tucanos próximos a Alckmin avaliam que somente com a autorização poderão dar mais consistência às conversas para a montagem de uma coligação.

As expectativas do time do hoje secretário paulista do Desenvolvimento estão voltadas para o dia 31. Na ocasião, Serra planeja fazer um balanço de sua gestão, em um evento no Palácio dos Bandeirantes. Alckmin estará ao lado do tucano, assim como outros secretários. O ex-governador tem trabalhado pela sua candidatura e conseguiu consolidar o seu nome na disputa interna do partido. Até agora, entretanto, não foi chamado para uma conversa com Serra.

É esperar para ver…

Ciro Chacrinha Gomes

Na reunião de hoje cedo em São Paulo na sede do PSB, com representantes do PT, PDT, PSB e PCdoB, Ciro Gomes deu a data de 30 de março para tomar a decisão sobre o seu rumo em outubro.

Foi das poucas afirmações que fez que não confundiu seus interlocutores.

Entre as várias passagens ao estilo Chacrinha (”eu vim aqui para confundir; não para explicar”), Ciro garantiu que se Aécio Neves saísse candidato à presidência, o apoiaria. Na mesma reunião disse que estava engajado no projeto de Lula. Só não explicou como apoiar Aécio e engajar-se no “projeto de Lula”.

Blog do Lauro Jardim – Lauro Jardim

Um curinga (quase) fora do jogo

Espécie de curinga nas eleições de outubro, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) pode acabar não disputando nada. Continua isolado na intenção de concorrer ao Palácio do Planalto e está perdendo o timing para se lançar candidato a governador de São Paulo, opção que não o empolga.

O PT paulista já desistiu das pressões para que ele dispute o Palácio dos Bandeirantes por uma frente aliada do governo Lula, embora a maioria ainda o considere o candidato ideal para enfrentar os tucanos. Ele está cada vez mais fora, afirma um petista.

O tempo está se esgotando para que Ciro decida se lançar a governador. O PT não pode ficar refém do calendário de Ciro, avalia um dirigente do partido. O limite, diz ele, é março: se Ciro não se decidir até lá, o partido lançará nome próprio.

A direção do PSB começa a se inquietar com a possibilidade de Ciro ficar fora das eleições. Formalmente, o partido não desistiu de tentar viabilizar a candidatura dele a presidente, mas o desânimo aumentou, porque Lula se mantém contra a estratégia de lançar dois governistas ao Planalto.

A tese defendida por Ciro e parte do PSB é que, enfrentando apenas um adversário da base de Lula, o tucano José Serra (PSDB) tem mais chance de vencer no primeiro turno.

O presidente quer todos em torno de Dilma Rousseff, sua candidata. E o PSB precisaria que Lula liberasse parte da base governista, principalmente PDT e PCdoB, para apoiar o deputado. Sem aliados, com tempo insignificante no programa eleitoral gratuito, o PSB não pretende lançar Ciro.

Além das candidaturas à Presidência da República e ao governo de São Paulo, outra opção de Lula para o deputado, seu ex-ministro, é a Vice-Presidência na chapa de Dilma. O presidente disse a amigos que, fora do PMDB, Ciro seria o candidato a vice dos seus sonhos.

Essa hipótese, no entanto, só existirá se o PMDB não aprovar a coligação formal com o PT. Dilma precisa do tempo de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão do PMDB.

O nome do presidente da Câmara, Michel Temer, até agora a opção da cúpula pemedebista, não empolga Lula nem o PT. O preferido seria o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ainda na expectativa de ser o indicado. Por essa razão, ele adia a decisão de ser ou não candidato a governador de Goiás. A chance de a direção do PMDB optar por Meirelles, um recém-filiado, é quase nula.

O PT comemorou quando Lula deu seu recado ao PMDB: ao defender a apresentação de uma lista tríplice, com indicações para a vaga de vice, deixou clara a preocupação com a eventual imposição de um nome pelo PMDB que não agrade ao PT.

A rigor, o maior eleitorado de Ciro está no Nordeste, região onde Lula já é um forte cabo eleitoral. Por ter mais traquejo de campanha e estilo agressivo, o deputado faria diferença no embate com Serra. Dilma não tem jogo de cintura e é muito professoral. Não sabe fazer campanha. Como diz um petista, terá de aprender a andar de bicicleta andando. Tentando minimizar o peso da candidata, o PT joga todas as fichas no poder de transferência de votos de Lula a ela.

Por isso, a derrota do candidato da presidente Michelle Bachelet, nas eleições presidenciais do Chile, está sendo analisada com lupa. Bachelet tem popularidade recorde, assim como Lula no Brasil. O PT procura justificar a derrota com o fato de o candidato oficial, Eduardo Frei, já ter presidido o Chile e não ter sido bem avaliado. O fato é que o processo chileno comprovou, mais uma vez, que a transferência de votos não é automática.

Enquanto o PT, por meio de um grupo que se reúne semanalmente com Dilma, começa a pensar a campanha, o PSB começa a se preocupar com o futuro de Ciro. Já se ouve até sugestões para que ele dispute o Senado, mas o PT de São Paulo não admite apoiá-lo nessa corrida. Nem Ciro pensa nisso.

Ele já disse, mais de uma vez, que não se importa em ficar sem mandato. Não vivo da política, afirma. De qualquer forma, se ficar fora das eleições, pode se dedicar à campanha do irmão, Cid Gomes, que disputa a reeleição no governo do Ceará. E pode percorrer o país reforçando a campanha dos companheiros de partido.

Um dirigente do PSB lembra que até Lula ficou anos sem mandato. Para ele, não seria o fim do mundo.

Raquel Ulhôa é repórter de Política em Brasília.