PMDB e os fios de bigode na casa de Ulysses

claudio-OliveiraOs partidos políticos brasileiros são, como o próprio nome diz, partidos. Há diversas realidades a serem aplicadas quando se pensa em sua constituição. Nem sempre a aliança que a liderança nacional firma com um outro partido é mantida ou respeitada quando pensamos municipalmente. Em muitas cidades, por exemplo, PSDB/DEM são aliados do PT e rivais entre si.
Há, entretanto, um “partido” que realmente faz por merecer a acepção da palavra. O PMDB é o maior partido do país e é, ao mesmo tempo, o menor. Como? Explico. Em números absolutos, o PMDB tem a maioria dos deputados e senadores, além de contar com uma boa quantia de governadores e prefeitos em suas fileiras. Proporcionalmente, o PMDB é o maior partido brasileiro.

Mas, quando levamos a discussão à prática, vemos que o PMDB é o menor partido em nossas terras. Falta ao partido um líder nacional, uma figura de identificação de comando. Assim como o PT tem ao Lula e o PSDB tem o Serra, o PMDB tem quem? Ninguém. Há, sim, diversas lideranças regionais, mas falta ao partido uma figura de destaque nacionalmente.

O porta-voz do PMDB depende da região em que os interlocutores estão sediados. Sabemos que, ao sul, quem lidera as massas do PMDB é o senador gaúcho Pedro Simon e que, em São Paulo, o líder do partido é o ex-governador Orestes Quércia.
Mas talvez os líderes mais famosos do partido sejam oriundos do norte do país. São eles os peemedebistas que vemos com maior frequencia nos noticiários. O PMDB de Renan Calheiros e os casos das concessões de comunicação através de laranjas. O PMDB de José Sarney e os Atos Secretos, o PMDB da nomeação do namorado da filha para um cargo. O PMDB de José Sarney que conseguiu afundar, sozinho, o Senado na lama e que lá o deixou com a histórica Pizza assada quando Sarney, o cacique do partido, escapou de todas as acusações. O PMDB de Renan e Sarney que se defenderam dizendo que sempre esteve errado.

Por ser um partido de dimensões elefânticas, o PMDB torna-se peça essencial na sustentação de qualquer governo. Vale lembrar, por exemplo, o apoio que o partido deu ao governo Lula durante as denúncias do mensalão. Lula permaneceu incólume e o partido, conduzido por Renan Calheiros, arregimentou mais dois ministérios por sua ‘lealdade’.

No papel, se compararmos o PMDB de 25 anos atrás e o de hoje percebemos que há uma diferença gritante em suas estrelas. Antes, tinham Ulysses Guimarães. Hoje, o partido coleciona títeres sentados sobre estatais, diretorias, ministérios e qualquer orgão que seja responsável pela
liberação de verbas.

Por se tratar de um partido de dimensões nacionais e divisões seculares, faz-se necessário abrir um parenteses. Há o núcleo no PMDB que abraça o governo Lula e aquele que lhe faz oposição. Este grupo é chamado pela imprensa de baluarte da máxima “Onde há governo, há PMDB”.
Mas, como em todo espaço em que há dissidência, há também a oposição, o que cobra uma linha de direção própria, a da ética, e não a do capital. Como destaquei acima, este é o PMDB do senador Pedro Simon.

Acuado no canto como um cão doente, Pedro Simon luta há anos para que o partido largue o fisiologismo e adote uma linha ideológica. O PMDB é, por incrível que pareça, o único partido que permite a dissidência por estatuto. Simon tenta, com alguns companheiros, fazer com que o PMDB deixe de ser um balaio de gatos e se torne uma sigla com orientação política.
Simon disse há alguns dias que pensa em sair do partido. O PMDB do bem, o que é contra a aliança de permuta com o Governo, perderá uma figura importantíssima e talvez uma das suas vozes mais
altas e audíveis para a sociedade.

Resta ao partido e sua executiva nacional decidirem o que é mais importante: o futuro do país e o desenvolvimento político da sociedade ou os cargos, as diretorias, as presidências e os 250 bilhões em verbas que encontram-se sob o poder deles, os peemedebistas que sustentam o governo e seus escândalos. À sociedade, resta a inocência polianna de acreditar que todo esse amor à dinastia Lula é pura convicção. Que é tudo feito ‘no fio do bigode’.

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Na briga dos bigodes, o barba venceu

sarney_lula_mercadanteA força do PT em manter José Sarney no cargo de presidente do Senado irritou alguns senadores. Um deles foi Aloisio Mercadante, líder do governo na casa. Ele esbravejou, disse que não se conformava com o arquivamento das investigações pelo Conselho de Ética e, por isso, garantiu aos eleitores que sua renúncia ao cargo de chefe do partido no parlamento seria ‘irrevogável’.

Os bigodes definitivamente não estavam se entendendo.

Foi então que o barba entrou em ação.

Chamado para uma conversa ‘a portas fechadas’ com o presidente Lula, Aloisio estaria decidido a renunciar. Mas no fim deu pra trás.

O que teria acontecido?

(1) Mercadante mentiu ao dizer que renunciaria ao cargo de líder do PT no Senado.
(2) Lula fez a Mercadante “uma proposta que ele não poderia recusar”. Por isso renunciou à renúncia.
(3) A imagem de político sério de Mercadante não passa de fake?
(4) Com certeza, todas alternativas acima.