O voto paulista

O PT de São Paulo ainda espera, mas apenas formalmente, a reunião entre o presidente Lula e o deputado Ciro Gomes, pré-candidato do PSB à sucessão presidencial, para lançar ao governo de São Paulo o senador Aloizio Mercadante. Espera com a pressa de caso decidido.

Com mais de 22% dos eleitores brasileiros, São Paulo tem o maior colégio eleitoral do país e jamais deu um voto de confiança ao PT para governar o estado. O partido perdeu em 2006 com Mercadante, senador eleito em 2002 com votação recorde, e nunca repetiu nome nas eleições em que disputou no estado, vencidas pelo PSDB e PMDB.

O presidente Lula ensaiou mudar o disco com Ciro, vendo a chance de com ele tirar o estado do PSDB. E sobretudo tirá-lo da disputa com a candidata já consagrada pelo PT, a ministra Dilma Rousseff.

O roteiro pareceu completo quando Ciro o atendeu e transferiu em setembro o domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo. No meio do caminho, com as alfinetadas de Ciro no PT paulista, Lula passou a ver méritos na persistência – ele próprio vitorioso só na quarta tentativa. Mercadante, praticamente reeleito, segundo as pesquisas internas do PT, foi persuadido neste cenário a mudar de objetivo.

Para Mercadante, não só para fazer número e dar palanque a Dilma. Para Lula, porque é o nome mais visível e mais bem avaliado do PT em São Paulo para a disputa, provavelmente contra Geraldo Alckmin, sem Ciro tirado da cartola. O que será vai depender do eleitor.
(Correio Braziliense)

Ciro cria mal estar com PT paulista

Por onde anda, por onde fala Ciro Gomes costuma criar polêmica, inimigos e desafenças até com aliados. Não foi diferente com o PT de São Paulo. Depois de tentar forçar uma candidatura do ex-governador do Ceará para disputar o Palácio dos Bandeirantes, a legenda do PT paulista ficou magoada com uma declaração de Ciro dizendo que o partido do Estado e´um “desastre”.

De acordo com o presidente do PT de São Paulo, Edinho Silva, a opinião de Ciro está fora de sintonia. “É uma situação fora de contexto ao processo que nós estávamos construindo com ele, que é de muito respeito e lealdade”, afirmou.

Ainda segundo o presidente do PT-SP, a possível aliança para lançar Ciro candidato em São Paulo está praticamente sepultada. “[A declaração] interrompe um processo de construção que estávamos fazendo”, disse.

Enigmáticos

Trio parada dura em ação

Trio parada dura em ação

Primeiro Lula e Ciro ficaram de conversar em janeiro para definir o futuro. Depois o encontro ficou para fevereiro, sendo adiado em seguida para 15 de março e agora marcado para 15 de abril. Jogam juntos, evidente. Embora nem o PT saiba exatamente para quê, circulam versões a respeito no partido.

Uma delas reza que Lula mantém Ciro na presidencial para conter os índices de Serra nas pesquisas. Outra diz que Ciro é reserva técnica para vice. Petistas mais inconformados com a hipótese de tê-lo como candidato ao governo de São Paulo, consideram a hipótese de que, se demorar muito, Marina Silva acaba ultrapassando Ciro nas pesquisas. Gazeta do Povo – Dora Kramer

Ciro é o vice de Dilma

Nova formação deixa Michel Temer de escanteio na disputa pela vice-presidência na chapa do PT

Michel Temer fica de escanteio na disputa pela vice-presidência na chapa do PT

Desde o início do ano passado Ciro Gomes tem sido uma pedra no sapato do PT. Os bons números alcançados por ele nas pesquisas de opinião para a corrida presidencial fizeram com que o governo o levasse em banho-maria. Primeiro o presidente Lula tentou convencê-lo a desistir da candidatura, o que deixaria o caminho livre para Dilma Rousseff. Depois chegou a fazer pressão para que o ex-governador do Ceará saísse candidato ao governo de São Paulo com apoio do PT, o que balançou Ciro. No entanto, o plano também não deu certo. Mas parece que agora o quadro começa a se definir. Articulações comandadas por Lula ao longo da última semana definiram que Ciro Gomes será o vice de Dilma.

A decisão deve ser confirmada nos próximos dias em Brasília. Analisando friamente, a nova configuração eleitoral levaria Dilma a 39% das intenções de voto, levando em conta a última pesquisa Datafolha na qual a candidata do PT aparece com 28%, seguida por Ciro com 11%, ante os 32% de Serra.

Para o PT esse seria o cenário ideal, certo? Nem tanto. A decisão de colocar Ciro na chapa de Dilma vai cair como uma bomba em cima de Michel Temer, até então o nome mais cotado para ocupar o cargo de vice da petista. À revelia de lideranças do partido, Temer armou uma guerra para ter seu nome indicado pela legenda para ocupar o cargo de candidato a vice-presidente. Agora, Temer ficará de escanteio na disputa nacional. Enquanto isso em São Paulo continua firme e forte a coligação PMDB-SP, PSDB e DEM para eleger José Serra presidente da República, bem como o próximo governador do Estado. Uma aliança que só tende a crescer a partir desse novo quadro eleitoral.

Telhado de vidro

Mais conhecido que Marina Silva, Ciro tem hoje um ponto fraco que todos os demais já resolveram: não tem parceiros para possíveis alianças. Portanto, antes de fazer uma radiografia de suas falhas diante do eleitor, o PSB espera para ver se terá uma parceria minimamente viável em termos de tempo de televisão ou se desistirá do projeto presidencial para se aliar ao PT, lançando Ciro como candidato ao governo de São Paulo.

Ciro Gomes vai ou não vai?

Ciro anda de cabeça quente

O PT reforçou ontem o discurso de que a pré-candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB) à Presidência perdeu força, diante do resultado da pesquisa Datafolha, que mostra um crescimento da candidata do PT, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

O líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), disse que Ciro perdeu o principal discurso de que sua presença na disputa era importante para forçar um segundo turno entre Dilma e o governador de São Paulo, José Serra (SP), que deve ser o candidato do PSDB.

Segundo petistas e integrantes do PSB, Ciro deve ter uma conversa definitiva com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por volta do dia 15.

— O que acabou foi o discurso do Ciro. Se ele quiser continuar, tem que ficar com outro discurso. O discurso (de que era essencial) não se sustenta. Agora, ele fica se tiver outros elementos — disse Vaccarezza, acrescentando que o deputado do PSB tem todo o direito de concorrer à Presidência.

Do O Globo

Meu querido

Posto que o transplante de Ciro Gomes (PSB) para São Paulo fica a cada dia mais improvável, Lula deverá ter em breve uma conversa com Aloizio Mercadante (PT), atualmente seu plano B para a disputa do Palácio dos Bandeirantes. O senador, que em princípio gostaria de se reeleger, está, segundo os mais próximos, “apavorado”.

Folha de SP