Ciro reclama de ameaças do PT paulista

Um dia após a divulgação da pesquisa de intenção de voto CNI/Ibope, o deputado Ciro Gomes subiu o tom contra o PT e afirmou não ter vocação para PC do B. Em entrevista à TV Estadão, o pré-candidato do PSB à Presidência disse temer que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva atue para constranger seu partido a não lhe conceder a legenda para sua candidatura ao Planalto. Lula, pela delicadeza com que me trata, não me pedirá jamais para não ser candidato, disse o deputado. Questionado se haveria outra forma de o presidente fazê-lo ficar de fora do pleito, Ciro afirmou: As outras formas podem ser muito cruéis. Por exemplo, constranger o partido a não me dar legenda.

O parlamentar deve ter uma reunião com a cúpula do PSB no mês que vem para bater o martelo sobre a candidatura. Lideranças do seu partido defendem apoio à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff ? que na última pesquisa CNI Ibope apareceu a apenas 5 pontos do governador José Serra, virtual candidato do PSDB.

A saída da corrida presidencial não significa embarque na disputa ao governo de São Paulo ? projeto inicial de Lula que está praticamente enterrado. Ciro sempre resistiu à ideia e, nas últimas semanas, o PT consolidou o nome do senador Aloizio Mercadante como postulante. Declarações de Ciro contra o PT paulista azedaram mais a negociação.

Não tenho vocação de PC do B para ser humilhado, como aliado do PT. Sou parceiro. Me respeita. Agora, na hora que eu quiser dizer que estão errados, vão ouvir. E podem reagir, que também respeito, afirmou ao se referir a ameaças pelos jornais de parte do PT paulista. Para petistas, Ciro quer mesmo é ser vice de Dilma, o que ele nega: Ninguém é candidato a vice.

Questionado sobre a parceria com o PT, praticamente inviabilizada em São Paulo, ele ironizou: Oh, que pena. Quero dizer com muita seriedade: nunca foi o meu propósito. Completou: Estou pouco ligando, francamente, engoli as bobagens que o PT falou quando fiz o sacrifício. Não falei nada, afirmou, em relação às declarações da ex-prefeita Marta Suplicy, que ironizou a candidatura Ciro em São Paulo.

Em 2006, nesta fase, estavam cogitando minha candidatura para governador do Rio. E o PT, como sempre, porque a natureza de escorpião é essa, pela boca de Vladimir Palmeira (petista do Rio), mandava o cacete em mim. Estou acostumado. Agora tem os petistas do Ceará. Conheço eles há vinte anos, declarou.

Ciro afirma não ter um problema com o PT, em geral. Me dou super bem com Lula e com a maioria esmagadora do PT. Pergunte ao Zé Eduardo Martins Cardozo. Não vai ser mais candidato porque não aguenta mais.

Ele minimizou a pesquisa CNI/Ibope em que está estagnado em 11% da intenção de voto. Defendeu sua permanência no páreo para politizar o debate.

(Estado de S.Paulo)

Ciro Chacrinha Gomes

Na reunião de hoje cedo em São Paulo na sede do PSB, com representantes do PT, PDT, PSB e PCdoB, Ciro Gomes deu a data de 30 de março para tomar a decisão sobre o seu rumo em outubro.

Foi das poucas afirmações que fez que não confundiu seus interlocutores.

Entre as várias passagens ao estilo Chacrinha (”eu vim aqui para confundir; não para explicar”), Ciro garantiu que se Aécio Neves saísse candidato à presidência, o apoiaria. Na mesma reunião disse que estava engajado no projeto de Lula. Só não explicou como apoiar Aécio e engajar-se no “projeto de Lula”.

Blog do Lauro Jardim – Lauro Jardim

PT não tem “plano B” para SP caso Ciro desista, mas tem nomes fortes, diz Vaccarezza

O PT espera definir até abril o nome do candidato do partido que vai disputar o governo de São Paulo, caso o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) mantenha sua candidatura à Presidência da República. Segundo o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), o partido não tem “plano B” caso Ciro desista de concorrer ao governo do Estado – mas possui nomes em condições de entrar na disputa.

“O PT não tem plano B, nós tínhamos o plano de botar o Ciro. O que queremos é juntar uma frente de partidos do governo Lula que pode ganhar as eleições em São Paulo”, afirmou.

Vaccarezza disse que o PT não tem pressa para solucionar o impasse em São Paulo uma vez que o PSDB ainda não definiu quem será o seu candidato – mesmo estando no governo do Estado. “Eu acho que até abril podemos construir um nome. E não é tarde porque não acho que os tucanos terão o nome deles até abril”, afirmou.

No PSDB, o nome do ex-governador Geraldo Alckmin é cotado para disputar o cargo. O partido, no entanto, ainda não definiu se Alckmin vai entrar na corrida para suceder Serra no Palácio dos Bandeirantes.

O líder reiterou que Ciro não está disposto a concorrer ao governo de São Paulo, mesmo com a pressão do Palácio do Planalto para que retire sua candidatura da corrida presidencial para fortalecer a petista Dilma Rousseff (Casa Civil).

“Se ele quiser ser candidato à Presidência, ele tem direito. Mas a base do presidente Lula e o PT vão com a Dilma. A avaliação é que ele está com dificuldades de ser candidato em São Paulo, já me disse que não vai ser”, afirmou.

No caso da desistência de Ciro, Vaccarezza disse que o PT tem nomes “muito fortes” para disputar o governo estadual – como o senador Aloizio Mercadante, a ex-prefeita Marta Suplicy e o prefeito de Osasco, Emídio de Souza.

Nesta terça-feira, o novo presidente do PT-SP, Edinho Silva, afirmou que Ciro pediu para adiar para depois do Carnaval uma reunião com os dirigentes de oito partidos – PSB, PT, PDT, PC do B, PTC, PRB, PSC e PTN – para discutir sua candidatura ao governo do Estado.

Segundo o presidente do PT paulista, Edinho Silva, Ciro pediu mais tempo para conversar com os partidos já que não descartou candidatura. As legendas, que fazem oposição em São Paulo ao governador José Serra (PSDB), acertaram que Ciro é um nome de consenso para o governo paulista.

PSB vai empurrar para março definição sobre candidatura de Ciro à Presidência

O PSB vai tentar empurrar para março a definição sobre a candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) à Presidência da República. Apesar da pressão do Palácio do Planalto para que Ciro anuncie a saída da corrida presidencial nos próximos dias, integrantes do partido argumentam que a legenda tem autonomia para decidir o futuro da candidatura nos próximos meses.

O PT promete pressionar o PSB esta semana para que Ciro aceite disputar o governo de São Paulo, com o apoio dos petistas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem encontro marcado com o presidente nacional do PSB, governador Eduardo Campos (PE), na quarta-feira em Pernambuco, do qual Ciro pode também participar – se encerrar as férias que tiveram início no final de 2009.

No PSB, porém, o clima é de não ceder às pressões do PT por nenhuma definição neste momento. “O nosso prazo é março. Essa pressão, a gente não sentiu. Não tem solicitação formal do PT. O PSB vai decidir no seu tempo”, disse o líder do PSB na Câmara, deputado Rodrigo Rollemberg (DF).

O deputado, um dos articuladores da candidatura de Ciro, afirma que o partido deve avaliar com cautela qual o melhor caminho a seguir nas eleições presidenciais – se lança candidatura própria ou se apoia a pré-candidata do PT, ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).

“A prioridade da candidatura do Ciro é manter o projeto do presidente Lula. Temos a tese de que duas candidaturas [da base governista] é melhor do que uma. A opinião do presidente é importante para definir o melhor caminho a trilhar”, afirmou Rollemberg.

No PMDB, que caminha para se tornar o principal aliado de Dilma nas eleições de outubro, o sentimento é de que a unificação da base aliada é fundamental para garantir a eleição da petista.

“O PSB tem legitimidade de lançar qualquer candidato, mas temos que unir a base governista. É uma posição interna do PSB. O deputado Ciro Gomes é importante em qualquer eleição, mas a decisão partidária será tomada pelo PSB”, disse o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).

FOL

Um curinga (quase) fora do jogo

Espécie de curinga nas eleições de outubro, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) pode acabar não disputando nada. Continua isolado na intenção de concorrer ao Palácio do Planalto e está perdendo o timing para se lançar candidato a governador de São Paulo, opção que não o empolga.

O PT paulista já desistiu das pressões para que ele dispute o Palácio dos Bandeirantes por uma frente aliada do governo Lula, embora a maioria ainda o considere o candidato ideal para enfrentar os tucanos. Ele está cada vez mais fora, afirma um petista.

O tempo está se esgotando para que Ciro decida se lançar a governador. O PT não pode ficar refém do calendário de Ciro, avalia um dirigente do partido. O limite, diz ele, é março: se Ciro não se decidir até lá, o partido lançará nome próprio.

A direção do PSB começa a se inquietar com a possibilidade de Ciro ficar fora das eleições. Formalmente, o partido não desistiu de tentar viabilizar a candidatura dele a presidente, mas o desânimo aumentou, porque Lula se mantém contra a estratégia de lançar dois governistas ao Planalto.

A tese defendida por Ciro e parte do PSB é que, enfrentando apenas um adversário da base de Lula, o tucano José Serra (PSDB) tem mais chance de vencer no primeiro turno.

O presidente quer todos em torno de Dilma Rousseff, sua candidata. E o PSB precisaria que Lula liberasse parte da base governista, principalmente PDT e PCdoB, para apoiar o deputado. Sem aliados, com tempo insignificante no programa eleitoral gratuito, o PSB não pretende lançar Ciro.

Além das candidaturas à Presidência da República e ao governo de São Paulo, outra opção de Lula para o deputado, seu ex-ministro, é a Vice-Presidência na chapa de Dilma. O presidente disse a amigos que, fora do PMDB, Ciro seria o candidato a vice dos seus sonhos.

Essa hipótese, no entanto, só existirá se o PMDB não aprovar a coligação formal com o PT. Dilma precisa do tempo de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão do PMDB.

O nome do presidente da Câmara, Michel Temer, até agora a opção da cúpula pemedebista, não empolga Lula nem o PT. O preferido seria o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ainda na expectativa de ser o indicado. Por essa razão, ele adia a decisão de ser ou não candidato a governador de Goiás. A chance de a direção do PMDB optar por Meirelles, um recém-filiado, é quase nula.

O PT comemorou quando Lula deu seu recado ao PMDB: ao defender a apresentação de uma lista tríplice, com indicações para a vaga de vice, deixou clara a preocupação com a eventual imposição de um nome pelo PMDB que não agrade ao PT.

A rigor, o maior eleitorado de Ciro está no Nordeste, região onde Lula já é um forte cabo eleitoral. Por ter mais traquejo de campanha e estilo agressivo, o deputado faria diferença no embate com Serra. Dilma não tem jogo de cintura e é muito professoral. Não sabe fazer campanha. Como diz um petista, terá de aprender a andar de bicicleta andando. Tentando minimizar o peso da candidata, o PT joga todas as fichas no poder de transferência de votos de Lula a ela.

Por isso, a derrota do candidato da presidente Michelle Bachelet, nas eleições presidenciais do Chile, está sendo analisada com lupa. Bachelet tem popularidade recorde, assim como Lula no Brasil. O PT procura justificar a derrota com o fato de o candidato oficial, Eduardo Frei, já ter presidido o Chile e não ter sido bem avaliado. O fato é que o processo chileno comprovou, mais uma vez, que a transferência de votos não é automática.

Enquanto o PT, por meio de um grupo que se reúne semanalmente com Dilma, começa a pensar a campanha, o PSB começa a se preocupar com o futuro de Ciro. Já se ouve até sugestões para que ele dispute o Senado, mas o PT de São Paulo não admite apoiá-lo nessa corrida. Nem Ciro pensa nisso.

Ele já disse, mais de uma vez, que não se importa em ficar sem mandato. Não vivo da política, afirma. De qualquer forma, se ficar fora das eleições, pode se dedicar à campanha do irmão, Cid Gomes, que disputa a reeleição no governo do Ceará. E pode percorrer o país reforçando a campanha dos companheiros de partido.

Um dirigente do PSB lembra que até Lula ficou anos sem mandato. Para ele, não seria o fim do mundo.

Raquel Ulhôa é repórter de Política em Brasília.

O papel de Ciro

Blog do Noblat – Ricardo Noblat

O deputado Ciro Gomes (PSB-CE) presta um favor à candidatura Dilma Rousseff quando diz que desistiria da sua caso o PSDB escolhesse Aécio Neves para disputar a sucessão de Lula.

O governo, Dilma, seus estrategistas de campanha e o próprio Ciro acham que será mais fácil derrotar Aécio do que Serra. Ciro sabe que só será candidato a presidente se Lula concluir que precisa dele para eleger Dilma. Entre Ciro e Dilma, o PSB fará o que Lula mandar.

Seria razoável que o PSB mineiro apoiasse Aécio porque faz parte do governo dele – assim como em São Paulo faz parte do governo de Serra. O PMDB mineiro de Hélio Costa também apoiaria Aécio – como o PMDB de São Paulo já apóia Serra.

O destino de Ciro pertence menos a ele e mais a Lula. Poderá até acabar como candidato ao governo de São Paulo com a missão de atanazar a vida de Serra candidato a presidente.

Ciro está a serviço de Lula e do PT. É a essa luz que seus passos devem ser examinados.

No momento, contribui para estabelecer a cizânia dentro do PSDB, separando ainda mais Aécio de Serra e, por fim, inviabilizando qualquer chance de os dois estarem juntos numa mesma chapa.

Resta saber qual o papel que cumpre Aécio.

O PSDB só o escolherá candidato se Serra desistir e preferir concorrer a um novo mandato de governador.

Quem seria o candidato de Aécio ao governo de São Paulo? Serra? Ou Ciro, que teria desistido da disputa presidencial para apoiá-lo?

Mas como Ciro apoiaria Aécio sendo candidato do PT contra Serra em São Paulo? O palanque de Ciro em São Paulo seria automaticamente o palanque de Dilma.

Blindagem

Todo mundo já sabe que Ciro Gomes sairá mesmo candidato ao governo de São Paulo, mas ninguém confirma. A ideia de Lula é preservar ao máximo a imagem de Dilma e do ex-governador do Ceará para as disputas do ano que vem. Enquanto isso, o PSB paulista dá status de pré-candidato a Paulo Skaf, que será a ‘estrela’ de vinte comerciais a que o partido terá direito neste mês.
Pelo visto, está tudo bem amarrado para Ciro lançar seu nome ao Palácio dos Bandeirantes aos 45 do segundo tempo.