TRE-SP suspende propaganda do PT paulista com Lula e Dilma

PT pode ser multado por propaganda

SÃO PAULO – O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP) de São Paulo acolheu representação do PMDB estadual e suspendeu a propaganda partidária do PT paulista, na qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz uma série de elogios à ministra da Casa Civil e pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff. A decisão foi confirmada pela assessoria da Justiça Eleitoral de São Paulo.

Na peça de 30 segundos veiculada nas emissoras de TV e Rádio desde a última sexta-feira, Lula diz que, embora seja mineira, a ministra “tem a cara de São Paulo”. O Estado é tido como prioritário para a campanha petista, sobretudo em relação às pretensões de Dilma de suceder o presidente, já que se trata do maior colégio eleitoral do país.

O desembargador Alceu Penteado Navarro, no entanto, entendeu que a peça ultrapassa os limites do artigo 45 da lei dos partidos ao realizar propaganda eleitoral ao invés de divulgar os ideais da legenda. As emissoras já foram notificadas da decisão e as inserções devem ser retiradas do ar ainda hoje.

Apesar disso, o PT poderá substituir a propaganda por outra.

Valor

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Para que serve Ciro?

Ora Lula diz que o PT paulista deve repetir nomes de canditatos ao governo e às prefeituras até que eles se afirmem depois de duas ou três eleições e vençam a seguinte. Assim como ele, que disputou e perdeu três eleições presidenciais, mas venceu a quarta e a quinta.

Ora insiste em empurrar goela abaixo do PT a candidatura de Ciro Gomes (PSB-CE) à sucessão do governador José Serra.

Nada mais natural, pois, que o PT paulista se declare confuso, como admitiu na semana passada, por exemplo, o deputado José Genoino.

Pois fique sabendo o PT de uma vez por todas: Lula fará tudo o que puder para que Ciro concorra à vaga de Serra.

É útil para Dilma que Ciro continue aparecendo nas pesquisas de intenção de voto para presidente. Se o nome dele tivesse sumido, a vantagem de Serra sobre Dilma, hoje, seria maior. Por enquanto, Ciro transfere mais votos para Serra do que para Dilma.

Mais adiante, talvez não.

Aí terá chegado a ocasião de forçar Ciro a desistir do sonho de ser candidato a presidente. E Lula acredita que o convencerá a disputar a sucessão de Serra.

Para ganhar?

Não. Lula não aposta um tostão na vitória de Ciro em São Paulo – nem na vitória de nenhum nome do PT.

A missão de Ciro será bater duro em Serra, dentro do reduto de Serra, para diminuir ali a vantagem de Serra sobre Dilma.

Ciro topará servir de boca de aluguel do PT?

No momento, jura que não. Depois, não se sabe.

Até aqui, Lula tem conseguido tudo o que quer.
(Blog do Noblat)

Dilma, a mulher de Sarney

Lula e Dilma foram ao Maranhão inaugurar a pedra fundamental (!) de uma refinaria. Sim, boa parte dos milhares de discursos de Lula se deram em inaugurações de pedras fundamentais — que são pouco mais do que nada, como se sabe. E Sarney mandou ver de novo: “A ministra Dilma disse que o senhor [Lula] é o cara. E eu só quero dizer que ela é a cara do cara”.

A frase é digna do escritor José Sarney, o autor de Maribondos de Fogo… Foi com sacadas geniais como essa que ele conquistou, na literatura, o direito de ser esquecido.

No dia 12, numa cerimônia do Minha Casa, Minha Vida, no tal beija-mão, Sarney já se derreteu: “Isso mostra a ascensão das mulheres nesses anos todos. O exemplo extraordinário que ela dá, naturalmente, a contribuição que tem dado e vai continuar dando ao nosso país”.

É isto: modernize o Brasil com Dilma e José Sarney.
(Reinaldo Azevedo)

O que Lula aceita mudar e o que ele quer manter

Como vocês já devem ter visto, os absurdos contidos no Programa Nacional de Direitos Humanos III, ganharam o país, puseram o governo na defensiva — uma vez que lhe faltam explicações convincentes — e vão obrigá-lo a mudar o texto.

Lula voltou da praia e cumpre direitinho o roteiro ao qual se adapta tão bem: “Não sabia de nada”. Assinou sem ler, coitadinho! Dilma Rousseff também silenciou, embora a versão final de decretos seja dada pela Casa Civil. Segundo acaba de noticiar o Jornal Nacional, Lula pretende contornar a crise com os militares substituindo, no item da “Comissão da Verdade”, a palavra “repressão” por “conflitos”, o que permitiria a investigação dos crimes cometidos também pelos terroristas.

Já o resto — extinção, na prática, da propriedade privada e risco de censura à imprensa — continua. Aí Lula não quer mudar nada.
(Reinaldo Azevedo)

“A Terra é redonda”, descobre Lula

Populismo pouco é bobagem

LULA ESTÁ CERTO: ÀS VEZES, O CORRUPTO FINGE SER ANJO

Como é mesmo uma das frases de “Máximas de Um País Mínimo” (sábado está chegando…)? “Se Lula não existisse, jamais seria inventado”. Hoje, caros, é o Dia Internacional de Combate à Corrupção. É por isso que ontem, na véspera, Dilma Rousseff foi àquela festa do PT em homenagem aos mensaleiros do partido… Não nego: um dos meus prazeres cotidianos é demonstrar o fundo falso da moral petista; é evidenciar que a sua tolerância com a bandalheira é superior à de qualquer outro grupo político, embora seus representantes posem de vestais da ética e dos bons costumes.

Vejam que grande moralista, por exemplo, é Lula. Ele envia nesta quarta ao Congresso um projeto que torna a corrupção “crime hediondo”. Ohhh!!! Que grande combatente da ética é este senhor! Antes que detalhe a sua proposta, duas perguntinhas:

1 – Que punição receberia, segundo o seu projeto, o filho do presidente da República que recebesse, em sua empresa, a injeção de R$ 10 milhões, feita por uma concessionária de serviço público, de que o BNDES é sócio? RESPOSTA – Nenhuma! Porque isso não seria considerado um crime.

2 – Que punição receberia, segundo o seu projeto, o presidente que patrocinasse a mudança de uma lei apenas para atender a uma empresa que fizera um negócio considerado ilegal? RESPOSTA – Nenhuma! Porque isso não seria considerado um crime.

Não falo por enigmas. No primeiro caso, refiro-me ao dinheiro que a Telemar pôs na Gamecorp, de Lulinha; no segundo, refiro-me ao Lulão mesmo, que mudou a lei da telefonia para legalizar a compra da Brasil Telecom pela Oi (ex-Telemar…). Isso é corrupção? Eu diria que se trata, quando menos, de corrupção de valores morais e éticos, não é mesmo? Dá para fazer mais perguntas. Que punição receberiam as empresas que financiassem um filme hagiográfico, de óbvio apelo eleitoral, especialmente quando boa parte delas depende da boa vontade do estado? A resposta: nenhuma de novo! Porque isso, nestas terras, é tido como coisa normal. Que pena receberiam dirigentes de fundos de pensão que se articulassem com partidos políticos para interferir no destino de empresas privadas? Ou o que fazer com dirigentes sindicais, sustentados por um imposto, que põem a máquina que dirigem a serviço de um partido político? Nenhuma, certamente, porque isso não seria considerado corrupção.
Por Reinaldo Azevedo