TRE-SP suspende propaganda do PT paulista com Lula e Dilma

PT pode ser multado por propaganda

SÃO PAULO – O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP) de São Paulo acolheu representação do PMDB estadual e suspendeu a propaganda partidária do PT paulista, na qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz uma série de elogios à ministra da Casa Civil e pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff. A decisão foi confirmada pela assessoria da Justiça Eleitoral de São Paulo.

Na peça de 30 segundos veiculada nas emissoras de TV e Rádio desde a última sexta-feira, Lula diz que, embora seja mineira, a ministra “tem a cara de São Paulo”. O Estado é tido como prioritário para a campanha petista, sobretudo em relação às pretensões de Dilma de suceder o presidente, já que se trata do maior colégio eleitoral do país.

O desembargador Alceu Penteado Navarro, no entanto, entendeu que a peça ultrapassa os limites do artigo 45 da lei dos partidos ao realizar propaganda eleitoral ao invés de divulgar os ideais da legenda. As emissoras já foram notificadas da decisão e as inserções devem ser retiradas do ar ainda hoje.

Apesar disso, o PT poderá substituir a propaganda por outra.

Valor

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Ciro é o vice de Dilma

Nova formação deixa Michel Temer de escanteio na disputa pela vice-presidência na chapa do PT

Michel Temer fica de escanteio na disputa pela vice-presidência na chapa do PT

Desde o início do ano passado Ciro Gomes tem sido uma pedra no sapato do PT. Os bons números alcançados por ele nas pesquisas de opinião para a corrida presidencial fizeram com que o governo o levasse em banho-maria. Primeiro o presidente Lula tentou convencê-lo a desistir da candidatura, o que deixaria o caminho livre para Dilma Rousseff. Depois chegou a fazer pressão para que o ex-governador do Ceará saísse candidato ao governo de São Paulo com apoio do PT, o que balançou Ciro. No entanto, o plano também não deu certo. Mas parece que agora o quadro começa a se definir. Articulações comandadas por Lula ao longo da última semana definiram que Ciro Gomes será o vice de Dilma.

A decisão deve ser confirmada nos próximos dias em Brasília. Analisando friamente, a nova configuração eleitoral levaria Dilma a 39% das intenções de voto, levando em conta a última pesquisa Datafolha na qual a candidata do PT aparece com 28%, seguida por Ciro com 11%, ante os 32% de Serra.

Para o PT esse seria o cenário ideal, certo? Nem tanto. A decisão de colocar Ciro na chapa de Dilma vai cair como uma bomba em cima de Michel Temer, até então o nome mais cotado para ocupar o cargo de vice da petista. À revelia de lideranças do partido, Temer armou uma guerra para ter seu nome indicado pela legenda para ocupar o cargo de candidato a vice-presidente. Agora, Temer ficará de escanteio na disputa nacional. Enquanto isso em São Paulo continua firme e forte a coligação PMDB-SP, PSDB e DEM para eleger José Serra presidente da República, bem como o próximo governador do Estado. Uma aliança que só tende a crescer a partir desse novo quadro eleitoral.

O lado Arena do PMDB dá as caras

PMDB_22De olho na popularidade do presidente Lula, que deve ter aumentado uns 5% depois que ele conseguiu trazer para o Brasil as Olimpíadas de 2016, o PMDB quer antecipar o seu apoio à candidatura de Dilma Rousseff.

O partido vinha se fazendo de difícil, bem ao estilo de “noiva cobiçada”, mas ontem à noite, em Brasília, durante jantar na casa do líder na Câmara, Henrique Alves (RN), deixou cair a ficha.

O 1º escalão partidário composto por Sarney, Romero Jucá, Geddel Vieira Lima, o próprio Henrique Alves, Michel Temer, e os ministros Temporão (saúde) e Edison Lobão (minas e energia) bateram o martelo: o candidato do partido é Dilma. E ponto final.

Não se falou sequer sobre a vaga de vice, que o partido reivindica para Temer, nem sobre o apelo de Jarbas, Quércia e Luiz Henrique para que o partido adiasse sua decisão sobre essa matéria para 2010.

Se Ulysses Guimarães visse Sarney, Geddel, Romero e Lobão (todos egressos da Arena) decidindo os destinos do PMDB morreria de novo.

PMDB, um partido que se diz democrático, quer enfiar a aliança com o Lula goela abaixo do partido todo. E, pasmem, quem faz isso são os líderes do partido que vieram da ARENA, partido de sustentação do regime militar (lembrar que MDB era o partido de oposição à ARENA) e que eles obedecem a Michel Temer, sujeito que não teve votos sequer para ser eleito deputado e que virou suplente e só assumiu quando alguém saiu e deu a vaga pra ele.

PMDB e os fios de bigode na casa de Ulysses

claudio-OliveiraOs partidos políticos brasileiros são, como o próprio nome diz, partidos. Há diversas realidades a serem aplicadas quando se pensa em sua constituição. Nem sempre a aliança que a liderança nacional firma com um outro partido é mantida ou respeitada quando pensamos municipalmente. Em muitas cidades, por exemplo, PSDB/DEM são aliados do PT e rivais entre si.
Há, entretanto, um “partido” que realmente faz por merecer a acepção da palavra. O PMDB é o maior partido do país e é, ao mesmo tempo, o menor. Como? Explico. Em números absolutos, o PMDB tem a maioria dos deputados e senadores, além de contar com uma boa quantia de governadores e prefeitos em suas fileiras. Proporcionalmente, o PMDB é o maior partido brasileiro.

Mas, quando levamos a discussão à prática, vemos que o PMDB é o menor partido em nossas terras. Falta ao partido um líder nacional, uma figura de identificação de comando. Assim como o PT tem ao Lula e o PSDB tem o Serra, o PMDB tem quem? Ninguém. Há, sim, diversas lideranças regionais, mas falta ao partido uma figura de destaque nacionalmente.

O porta-voz do PMDB depende da região em que os interlocutores estão sediados. Sabemos que, ao sul, quem lidera as massas do PMDB é o senador gaúcho Pedro Simon e que, em São Paulo, o líder do partido é o ex-governador Orestes Quércia.
Mas talvez os líderes mais famosos do partido sejam oriundos do norte do país. São eles os peemedebistas que vemos com maior frequencia nos noticiários. O PMDB de Renan Calheiros e os casos das concessões de comunicação através de laranjas. O PMDB de José Sarney e os Atos Secretos, o PMDB da nomeação do namorado da filha para um cargo. O PMDB de José Sarney que conseguiu afundar, sozinho, o Senado na lama e que lá o deixou com a histórica Pizza assada quando Sarney, o cacique do partido, escapou de todas as acusações. O PMDB de Renan e Sarney que se defenderam dizendo que sempre esteve errado.

Por ser um partido de dimensões elefânticas, o PMDB torna-se peça essencial na sustentação de qualquer governo. Vale lembrar, por exemplo, o apoio que o partido deu ao governo Lula durante as denúncias do mensalão. Lula permaneceu incólume e o partido, conduzido por Renan Calheiros, arregimentou mais dois ministérios por sua ‘lealdade’.

No papel, se compararmos o PMDB de 25 anos atrás e o de hoje percebemos que há uma diferença gritante em suas estrelas. Antes, tinham Ulysses Guimarães. Hoje, o partido coleciona títeres sentados sobre estatais, diretorias, ministérios e qualquer orgão que seja responsável pela
liberação de verbas.

Por se tratar de um partido de dimensões nacionais e divisões seculares, faz-se necessário abrir um parenteses. Há o núcleo no PMDB que abraça o governo Lula e aquele que lhe faz oposição. Este grupo é chamado pela imprensa de baluarte da máxima “Onde há governo, há PMDB”.
Mas, como em todo espaço em que há dissidência, há também a oposição, o que cobra uma linha de direção própria, a da ética, e não a do capital. Como destaquei acima, este é o PMDB do senador Pedro Simon.

Acuado no canto como um cão doente, Pedro Simon luta há anos para que o partido largue o fisiologismo e adote uma linha ideológica. O PMDB é, por incrível que pareça, o único partido que permite a dissidência por estatuto. Simon tenta, com alguns companheiros, fazer com que o PMDB deixe de ser um balaio de gatos e se torne uma sigla com orientação política.
Simon disse há alguns dias que pensa em sair do partido. O PMDB do bem, o que é contra a aliança de permuta com o Governo, perderá uma figura importantíssima e talvez uma das suas vozes mais
altas e audíveis para a sociedade.

Resta ao partido e sua executiva nacional decidirem o que é mais importante: o futuro do país e o desenvolvimento político da sociedade ou os cargos, as diretorias, as presidências e os 250 bilhões em verbas que encontram-se sob o poder deles, os peemedebistas que sustentam o governo e seus escândalos. À sociedade, resta a inocência polianna de acreditar que todo esse amor à dinastia Lula é pura convicção. Que é tudo feito ‘no fio do bigode’.